sábado, 31 de janeiro de 2015

Sobre o ideal político

Portugal é um país de fracos. Portugal é um país decadente: Porque aos não indiferentes interessa mais a política dos partidos do que a própria expressão da pátria, e sucede sempre que a expressão da pátria é explorada em favor da opinião pública.

Os interesses dos partidos prejudicam sempre o interesse comum da pátria. A condição menos necessária para a força de uma nação é o ideal político. 

Almada Negreiros 1917

A grande ilusão europeia


opticalillusions

Quando veja a histeria a tomar conta dos povos, recordo-me dos filmes históricos dos anos 30 do século passado. Quando vejo povos derreados pela verga da indignidade económica e social, penso no sofrimento incomensurável de famílias inteiras. Quando vejo expressões de pura demagogia a tomar conta dos discursos de políticos, sinto que as nossas sociedades correm grandes perigos. Quando observo a bandeira da libertação ser hasteada, penso como será a nova ordem proposta pelos mercenários. Quando comprovo como nações inteiras podem ser postas ao serviço de interesses ideológicos, deixo de acreditar na pureza da Democracia. Quando testemunho a facilidade com que se arrebanha gente, penso em colunas militaresQuando sinto a prevalência do dinheiro na retórica inflamada, sei que a alma humana foi vendidaQuando registo a facilidade com que se desonra a palavra, conheço o valor de um aperto de mão. Quando nem preciso de olhar para ver, sei que já embarcaram num caminho de difícil retorno. 


O Eixo do Mal

"Já houve o eixo Lisboa-Cascais. Agora há o eixo Évora-Cascais."

Eduardo Cintra Torres



A nova coqueluche económica


da esquerda caviar


sexta-feira, 30 de janeiro de 2015

O ouro de Portugal

Não pertence aos democratas... Foi herança do fassista.


quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

Bem lembrado

Ideias radicais-moderadas para um Syriza português

Sendo a França e instituições francesas os maiores credores de Portugal, acho que chegou a hora de cobrarmos a esses gauleses as indemnizações nunca liquidadas pelos danos causados durante as invasões napoleónicas, bem como pelo extenso património que Junot, Soult e Massena levaram do nosso país quando batiam em retirada. Assim por alto, se juntarmos um coeficiente de actualização monetária, ainda que conservador, somos capazes de chegar a qualquer coisinha próxima dos 80% do PIB. Se for preciso arredondar, para dar conta certa, podemos sempre entregar os Mirós.


Eu lembro-me que a Grécia é agora um país socialista radical


A reestruturação da dívida na Grécia

Há nisto tudo da Grécia, da reestruturação da sua dívida, algo a que só posso chamar estúpido. 

A exigência de uma eliminação de 50% do montante em dívida, ou 160 mil milhões de euros, é absurda. A começar porque a mesmíssima coisa poderia ser teoricamente conseguida sem alterar um cêntimo do montante em dívida. Não é preciso ser economista para o compreender. Você deve-me 100 euros e tem a obrigação de mos pagar dentro de uma semana, acrescidos de 10 euros de juros. Se em face das suas dificuldades eu decidir que você não paga os juros, reduzo a coisa ao capital, e se em vez de mo devolver dentro de uma semana, eu lhe permitir que mo devolva dentro de um ano, é óbvio que não me vai pagar o mesmo, embora no contrato de dívida continuem lá os 100 euros: o capital em dívida foi reduzido sem alarde, mas foi. Pode até acontecer que dentro de um ano eu prorrogue o prazo para 10, e dentro de 10 anos eu lhe prorrogue o prazo de pagamento para... ponha aí o tempo que quiser. 

Quanto maior for o tempo, menor é o valor que você me devolve, e toda a gente sabe disso sem ter de conhecer exactamente o conceito de «valor temporal do dinheiro», cuja fórmula de cálculo pode ser complicada, mas não a ideia. A Grécia foi já beneficiada com uma extensão enorme da sua dívida aos Estados da Zona Euro, que, nos termos actuais, só é completamente liquidada em 2054. A maturidade média da dívida grega é actualmente de 16,5 anos. Sempre que foram alargadas as maturidades e/ou diminuída a taxa de juro, a dívida grega foi reduzida, sem forçar os governos dos países credores a ter de reconhecer perante os seus eleitorados a realidade. 

E a realidade é que eles, os eleitores dos países credores, estão, em cada alargamento dos prazos e em cada diminuição das taxas de juro - a Portugal, à Irlanda ou à Grécia - a perder dinheiro, a transferir dinheiro dos seus bolsos para os nossos bolsos. Discretamente, como tem sido feito, é possível conseguir-se muita coisa, envolvendo quantidades astronómicas de valor. Não é preciso agredir para o conseguir. Só em termos de remuneração da dívida em juros a Grécia foi já de tal modo beneficiada que, apesar de ter quase mais de 100 mil milhões de euros em dívida comparativamente com Portugal, pagou em 2014 muito menos juros. 

O valor, de facto, ainda é menor do que o que aparece nas estatística europeias, porque o BCE devolve-lhe os juros pagos, de modo que o think-tank Bruegel recalculou a factura grega e estima que a despesa em juros tenha sido equivalente a 2,6% do PIB em 2014, devendo este ano cair para 2% do PIB. Tomara qualquer país em ajustamento. A média dos juros nos 19 países da zona euro foi de 2,7% do PIB. A Grécia está com um encargo abaixo da média! Esse encargo poderia ser ainda mais reduzido, em negociação e sem arrombar portas. Tal como as coisas foram postas - pura e simples anulação da dívida - a única coisa que me ocorre é pensar: a estupidez pode ser assassina. Está a ser assassina.

Fica aí o artigo do Bruegel, onde a realidade dos juros gregos é abordada. 

Jorge Costa


In the days ahead of the Greek snap elections on 25 January 2015 a huge range of opinions has appeared on what Greece and its lenders should...
BRUEGEL.ORG


O nó grego. Alemanha isolada?

Alexei Tsipras visitou em Kaisariani a campa dos duzentos ativistas gregos, na sua maioria comunistas, fuzilados pelos nazis em maio de 1944.

Parece que a Alemanha vai perder mais uma guerra


A Alemanha, que é tão extraordinária em tanta coisa, como no fabrico de automóveis e lentes fotográficas, ou na sua Filosofia, tem, no entanto, o mesmo problema do Francisco Louçã: pensa de maneira quadrada. Ou seja, a sua sensibilidade e capacidade de manobra são iguais a zero. Sempre que é conveniente contornar um obstáculo, o quadrado mal se move, pois, para chegar a qualquer um dos outros três lados do polígono, precisa de realizar um esforço enorme para vencer a inércia.

Todos sabemos que os oportunistas do sul da Europa se aproveitaram do súbito mas falso enriquecimento proporcionado pela entrada numa zona monetária forte. Sem produzirem o suficiente para o poder aquisitivo que lhes saiu na rifa, de um dia para o outro, desataram a comprar Golfs, Audis, BMWs, Mercedes e Porshces. E não ficaram por aqui. Especularam com terrenos e construiram milhares de empreendimentos imobiliáros para nada, construiram pontes para lado nenhum, autoestradas vazias, fecharam e venderam empresas em catadupa porque, de repente, o que produziam ficou mais caro do que sul-americanos, africanos e asiáticos exportavam para a Europa. Dedicaram-se aos casinos financeiros, que davam mais proveitos e prestígio do que a maçada de criar valor. E, para culminar tudo isto, endividaram os respetivos estados até à ruína, em nome de excelentes serviços de saúde, educação para todos, pensões de reforma para quem trabalhou e não trabalhou, e ainda mordomias sem fim e salários milionários para os principais rendeiros e devoristas dos novos e mui populistas regimes democráticos (outra aquisição repentina e mal digerida, claro). Em cima de tudo isto, a cereja da corrupção galopante—uma consequência previsível do abandono da ética, e da arrogância, protagonizados desde logo e em primeiro lugar pelas partidocracias instaladas.

Isto é tudo verdade, mas falta acrescentar um ponto: a Alemanha e os países ricos da Eurolândia contribuiram e beneficiaram como ninguém desta mentira económica, social e ética.

“...the conclusion is that Greece’s crisis is the EU’s fault, and the EU should “pay” via the debt write-offs that Syriza wants.” — Steve Keen, “It’s All The Greeks’ Fault”, Forbes, 21/1/2015.

Os gráficos (aqui e aqui) mostram que
  1. antes do euro a produção industrial da Grécia, Espanha e Itália cresciam mais depressa que a produção alemã, mas mais devagar do que esta última assim que foi criada a zona euro; e
  2. que o desemprego, a dívida pública, e o rácio da dívida privada face ao PIB se agravaram, e o desendividamento privado foi mais acentuado na Grécia e na Espanha do que nos Estados Unidos, quando comparados os gráficos homólogo, única e exclusivamente por efeito da austeridade. 
Mas há mais:

Por um lado, não podemos isolar o problema do endividamento e sobretudo das responsabilidades financeiras futuras do estado social grego, do resto da Eurolândia, como no gráfico seguinte bem se demonstra. 418% do PIB alemão são qualquer coisa como $15 592 490 980 000, enquanto que 875% do PIB grego são algo parecido com $2 115 058 750 000, ou seja, mesmo considerando as responsabilidades por cabeça, os números são desfavoráveis à Alemanha: $193 055/hab na terra da senhora Merkel, contra $192 418 /hab na terra do senhor Alexei Tsipras.



E mais ainda:

O sistema bancário grego está sob um enorme e orquestrado ataque financeiro especulativo. Teme-se pela segurança bancária grega, dizem. Mas a verdade é outra: o que se realmente se teme é que a crise grega possa revelar o grau de exposição criminosa da banca alemã, nomeadamente do Deutsche Bank, ao buraco negro dos derivados especulativos. Se não, reparemos no gráfico seguinte:



Vale a pena ler o comentário publicado pelo Zero Hedge sobre o artigo do The Wall Street Journal sobre esta bomba-relógio:

NY Fed Slams Deutsche Bank (And Its €55 Trillion In Derivatives): Accuses It Of "Significant Operational Risk"

Zero Hedge. Submitted by Tyler Durden on 07/22/2014 20:41 -0400

First it was French BNP that was punished with a $9 billion legal fee after France refused to cancel the Mistral warship shipment to Russia (which promptly led to French National Bank head Christian Noyer to warn that the days of the USD as a reserve currency are numbered), and now moments ago, none other than the 150x-levered NY Fed tapped Angela Merkel on the shoulder with a polite reminder to vote "Yes" on the next, "Level-3" round of Russia sanctions when it revealed, via the WSJ, that "Deutsche Bank's giant U.S. operations suffer from a litany of serious problems, including shoddy financial reporting, inadequate auditing and oversight and weak technology systems."

What could possibly go wrong? Well... this. Recall that as we have shown for two years in a row, Deutsche has a total derivative exposure that amounts to €55 trillion or just about $75 trillion. That's a trillion with a T, and is about 100 times greater than the €522 billion in deposits the bank has. It is also 5x greater than the GDP of Europe and more or less the same as the GDP of... the world.

Que se passa então para lá da poeira e do fumo criados pela artilharia mediática?

Infelizmente só há uma explicação: a Alemanha tentou, mais uma vez, conquistar a Europa, usando desta vez uma estratégia sobretudo financeira. Uma vez mais falhou. E uma vez mais falhou porque traíu simultaneamente os compromissos com os aliados atlânticos, e com a Rússia!

Tal como nas anteriores tentativas de hegemonia, a Alemanha procurou resolver simultaneamente o problema do acesso ao mar e o problema da energia. Aceder à Eurásia, ao Atlântico e ao Mediterrâneo sem pedir licença, nem pagar taxas a ninguém, foi sempre um desejo racional, mas ilegítimo. Desta vez, caiu na armadilha americana de tentativa de isolamento da Rússia, aceitando expandir a NATO para os antigos países da Cortina de Ferro, ignorando que tal movimento seria sempre avaliado por Moscovo como uma ameaça intolerável.

A resposta de Moscovo foi estrategicamente contundente: interromper o fornecimento de gás natural (a energia rainha do século 21) à Europa via Ucrânia, e apostar num novo gasoduto a sul, com entrada europeia pela... Grécia!

A complicação está montada, e não é nada interessante para a Alemanha, a Holanda, e os países do Báltico.

Sinais eloquentes: os dois primeiros atos do novo governo grego foram uma homenagem aos comunistas fuzilados pelos nazis em Kaisariani, em 1944, e a receção do embaixador da Rússia, que já prometeu fornecer alimentos à Grécia, e o mais que for preciso.

A Rússia ameaçou o Ocidente com uma escalada sem precedentes da tensão existente se Wall Street, Londres e Frankfurt se atreverem a expulsar o país de Putin da SWIFT, a Sociedade para Telecomunicações Financeiras Interbancárias Globais.

A Rússia e a China são dois poderes globais a que a Grécia certamente recorrerá no seu desafio à arrogância paternalista do senhor Schauble.

Como em tempos escrevi, em vez de a Grécia sair do euro, pode acontecer que seja a Alemanha a regressar ao marco.


O António Maria


O revisionismo histórico: uma vergonha ocidental

A Rússia não foi convidada para as celebrações que hoje tiveram lugar na Polónia. A cegueira, a manipulação e a má-fé de que hoje deram provas os governos envolvidos nesta triste como indigna encenação - os EUA, a Grã-Bretanha, a Polónia e até o regime de Maidan - abriram portas, legitimando-a, qualquer teoria revisionista que trate de refazer a história em benefício de agendas escusas. Foi um erro tremendo, um insulto à verdade amplamente documentada, um grosseiro atentado contra o bom nome do ofício historiográfico.
É sabido que foi a URSS que venceu militarmente o III Reich. Não fossem os 20 milhões de russos caídos nos campos de batalha, a Alemanha teria saído vitoriosa da contenda. Não fossem os russos, os Aliados não teriam molhado uma bota nas praias da Normandia. Coube aos russos destruir 75% do potencial militar alemão, como lhes coube travar as maiores e decisivas batalhas do conflito.
Os Aliados bombardeavam indiscriminadamente, arrasando e calcinando por meios aéreos metade da Europa; aos russos coube palmilhar cada metro de terreno, assaltar e tomar cada bastião, cada cidade e vila do Leste e Centro da Europa. Dos 2 milhões e seiscentos mil alemães caídos nos campos de batalha, 2,124,352 foram causados pelo Exército Vermelho, contra 516,757 causados pelos Aliados ocidentais. Mais, coube ao Exército Vermelho tomar 80% dos campos de concentração existentes na Alemanha e territórios ocupados ou em países do Eixo (Roménia, Hungria, Eslováquia, Croácia).
O delírio e a mentira compulsiva parece terem tomado os últimos vestígios daquilo que foi em tempos o chamado Mundo Livre. Vergonha, a nossa, em colaborar com tamanho insulto.

Miguel Castelo Branco


segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

A sorte do dia ou a sorte do caviar...


Zorba, O Grego


Grandes democratas





A cantar de Galo...


O Cavalo de Tróia

Uma das regras do QE é a atribuição aos bancos nacionais da responsabilidade por 80% das compras de dívida. Isto implica que 80% do valor das compras de dívida alemã será garantida pelo banco central alemão e 80% do valor das compras de dívida portuguesa serão assumidas pelo Banco de Portugal. E, de certa forma, cada país passará a dever uma percentagem da sua dívida ao seu próprio banco central. Outra implicação desta regra é a transferência de dívida que actualmente está no BCE (que o BCE comprou aos vários países em dificuldade durante a crise) para bancos centrais nacionais, à medida que estas linhas de crédito forem sendo substituídas. Isto são eurobonds ao contrário. Em vez de uma progressiva integração da política orçamental e monetária, o que foi feito foi uma separação de responsabilidades pela acção dos bancos centrais. Os investidores privados vão entender isto como um risco acrescido de fraccionamento da zona euro e a médio prazo isso vai notar-se nas taxas de juro, sobretudo nos países que seguirem política orçamentais laxistas pensando que o QE resolve tudo.
Está encontrado um mecanismo pelo qual um país vai saindo da zona euro sem choques. Um dia descobre-se que Portugal só deve ao Banco de Portugal e que os spreads de taxa de juro em relação à Alemanha são tão elevados que na prática os dois países têm moedas diferentes.