quinta-feira, 30 de Outubro de 2014

O futuro promete

Cinco anos depois e com o FED chegando a um balanço patrimonial de US$ 4,5 trilhões, termina o tão aclamado "programa de estímulos", mero eufemismo para a maior criação de dólares da história americana. Depois de comprar do sistema financeiro títulos de dívida do governo americano e todo tipo de lixo subprime, resta agora saber como o FED irá revender esses mesmos ativos que ninguém no mercado quer. Se venderem apenas os títulos do governo americano, tamanha oferta diminuirá os preços desses títulos no mercado, e os investidores exigirão juros maiores. E então chegaremos no que o grande Peter Schiff chama de "o verdadeiro abismo fiscal americano", que os EUA em algum momento no futuro terão que enfrentar: um país extremamente - e cada vez mais - endividado pagando juros historicamente baixos. O futuro promete.

TC

terça-feira, 28 de Outubro de 2014

Descentralização e secessão



A Suíça já comprovou que a descentralização pode funcionar bem. As pessoas muitas vezes pensam que o tamanho e centralização trazem prosperidade e todos os tipos de outros benefícios. No entanto, a Suíça, que não é nem um membro da UE, nem da OTAN, prova o contrário. Com quase oito milhões de habitantes, este país tem mais ou menos a população da Virgínia e seu governo é altamente descentralizado. Vinte e seis cantões – regiões – competem uns com os outros e desfrutam de uma grande autonomia. Os cantões já foram estados autônomos separados e alguns têm menos de 50.000 habitantes. Além disso, existem 2.900 municípios na Suíça – o menor tem cerca de 30 habitantes. Isso é muito mais do que a maioria dos outros países euro- peus. A maior parte do imposto de renda suíço é pago ao município e ao cantão e não ao governo federal. Os municípios e cantões são muito diferentes em tributação e regulamentação e, assim, competem pelas preferências dos cidadãos e das empresas.É sabido que a Suíça é um país de grande sucesso. Está entre os melhores do mundo em termos de expectativa de vida, emprego, bem-estar e prosperidade. É um dos poucos países no mundo que não tem convivido com guerras por mais de um século. Apesar da existência de quatro idiomas (alemão, francês, italiano e romanche), há uma grande quantidade de harmonia social, em contraste com a situação na Bélgica, onde as tensões e conflitos de interesses entre os flamengos que falam holandês e os valões que falam francês estão sempre ameaçando dividir o país. Considerando que os flamengos se queixam de que eles têm que pagar para os menos ricos valões, os suíços não experimentam qualquer atrito, consequência de seu sistema descentralizado.É claro, a Suíça é uma democracia, mas o país tem tantos e tão pequenas unidades democráticas, que consegue evitar muitos dos efeitos negativos da democracia parlamentar nacional.A Suíça também prova como a possibilidade de secessão reduz as tensões. Na década de 1970, os habitantes de língua francesa do cantão de Berna não se sentiam bem representados na área em que viviam, predominantemente de língua alemã. Assim, em 1979, as comunidades de língua francesa se separaram e formaram o cantão de Jura. Ao longo dos séculos, as disputas entre os diferentes grupos étnicos e idiomas foram pacificamente resolvidas dessa forma. Como os cantões suíços e as comunidades são pequenas, as pessoas não só podem ir às urnas, mas também têm a opção de se mudar, se estiverem insatisfeitas com o governo. Dessa forma, as más políticas são substituídas por boas políticas.


segunda-feira, 27 de Outubro de 2014

Toda a democracia tem a mesma estrutura:

Toda a democracia tem a mesma estrutura: se algo é ruim no país como a saúde pública, a educação pública, a guerra contra drogas, etc. a resposta é "mais do mesmo": mais gastos, mais burocracia, mais leis, mais política, mais estado, mais bagunça.

AM

O que entendo ser verdade

Eu não quero ter poder
Mas apenas liberdade
P'ra dizer aos do poder
O que entendo ser verdade

Agostinho da Silva


domingo, 26 de Outubro de 2014

A frustração democrática



Em Portugal multidões de indignados descobriram que uma Democracia que não dá dinheiro afinal não presta; pouco ou nada importa a Liberdade. E descobriram a deprimente passividade da sociedade civil.


 Superado que foi o “imperialismo” clássico como “estádio superior do capitalismo”, eis que o mundo chegou à fase da globalização, o seu nome contemporâneo. Trata-se de um novo sistema económico, alicerçado numa revolução tecnológica, em que indivíduos, grupos, empresas, países, regiões e até continentes competem livremente entre si à escala planetária por um mercado teoricamente infinito, numa busca incessante e voraz pela maximização do lucro, ou seja, pela riqueza. Para que o mercado nunca se acabe, o capitalismo desencantou uma absoluta novidade. Não se limita a oferecer-nos o que queremos e possivelmente precisamos: cria em nós o desejo de adquirir os produtos que inventa para nos vender. Deste modo, a procura não tem fim, tanto mais que, se a globalização tem criado legiões de multimilionários, por outro lado tem vindo a retirar centenas de milhões de pessoas da pobreza extrema, abrindo-lhes, pela primeira vez na história, a possibilidade de ascenderem na vida e se converterem em novos consumidores.

Nunca foi tão verdadeira a máxima cantada há já algumas décadas por Lisa Minelli: “Money makes the world go round”! Bem vistas as coisas, porém, sempre foi assim, embora em épocas remotas a riqueza se traduzisse bem menos em dinheiro, que de resto escasseava, do que em propriedade privada, avidamente cobiçada tanto pelo pequeno camponês como pelo grande senhor; tanto pelo pobre como pelo rico. Eis uma constante que se observa desde tempos imemoriais.

Não faltou quem imaginasse um estado paradisíaco, perdido nas brumas do alvor de uma Humanidade ainda fundamentalmente generosa, desprendida dos bens materiais e disposta a viver alegremente num regime do mais abnegado comunitarismo e da mais rigorosa frugalidade. Mas Engels nunca soube explicar por que motivo este estado celestial acabaria com o tempo a ser envenenado por uns quantos indivíduos malévolos, cujo egoísmo impôs a apropriação privada de uns bocados de terra a que quiseram chamar “seus”. E Rousseau, um crente na bondade natural do homem, também não arranjou explicação satisfatória para a existência de proprietários sempre insatisfeitos com os seus haveres e sempre aplicados a aumentá-los para além do suficiente a uma vida modesta e virtuosa.

Poderia argumentar-se com uma evidência universal: os mais hábeis, enérgicos e inteligentes levaram a melhor sobre os menos espertos, capazes e industriosos. Mas o problema subsiste: porque haveria aquela superioridade inata, que não pode ser imputada a mérito pessoal, de conduzir à opressão dos segundos pelos primeiros ? Porque resultaria ela em cobiça e ambição, em lugar de ser fraterna e generosamente colocada ao serviço de uma comunidade bondosa, humilde e inocente ? Ignoro como os defensores do dogma de que tudo não passa de uma “construção social”, nada existindo de congenitamente humano, explicam como agregados sociais radicalmente fraternos, formados por indivíduos socializados no inteiro desconhecimento do que sejam o egoísmo e a ambição, acabem a gerar criaturas rendidas à sedução da acumulação individual de riqueza. Pessoalmente, creio humildemente que estamos aqui perante interrogações que remetem para as insondáveis “profundezas antropológicas” (E. Morin) do ser humano.
Não por acaso o “conservadorismo”, sempre de pendor realista e, certamente por isso, propenso ao cepticismo, faz da defesa da propriedade privada uma pedra angular da sua visão política. É a sua maneira de, na análise concreta das sociedades presentes e passadas, levar em conta o que dantes se chamava, sem complexos, “natureza humana”. A propriedade privada já não é hoje o que era nos tempos de Edmund Burke (1729-1797). Cada vez mais constituída por activos móveis de variadíssimas espécies, é todavia sobre ela que o capitalismo ainda assenta e assentará. Para os que não são ricos, reduz-se praticamente a dinheiro proveniente do salário, de que por vezes sobra alguma poupança ciosamente acumulada ao longo de anos de trabalho. Na era da globalização, ao dinheiro somou-se o crédito, e aos que não têm nem uma coisa nem outra ainda chegam as prestações dispensadas pelo Estado Social.

A massa dos que têm acesso ao dinheiro, precisam de dinheiro e desejam cada vez mais dinheiro aumentou extraordinariamente a partir do final da II Grande Guerra. O Estado social, que enquanto antepassado directo do nosso foi uma criação do desafogo capitalista subsequente à Guerra, aliviou encargos de famílias e indivíduos, e, juntamente com os rendimentos do trabalho proporcionados por uma economia em expansão, transformou em consumidores os que em épocas anteriores mal asseguravam a “reprodução biológica da força de trabalho” (Marx). Nasceu a sociedade de consumo, o consumo de massas, viabilizado pela possibilidade de gastos supérfluos, é certo, mas a que deu vida o fascínio dos homens pela posse de coisas. O consumo é a nova forma democratizada da propriedade. As sociedades consomem impelidas por um ímpeto ou desejo semelhante ao que nas idealizadas comunidades primitivas teria destruído o comunitarismo e individualizado a propriedade.

A Democracia moderna, amadurecida na sequência das inovações ideológicas e filosóficas operadas pela Revolução Francesa, e indesligável da transformação económica e social induzida pela Revolução Industrial, foi pensada, ao longo da sua gestação na Europa do século XIX, como uma forma de auto-governo ou governo consentido pelos cidadãos através do voto. Instituía assim um poder político contratualizado em que estes participavam indirectamente através dos seus deputados eleitos e introduzia o princípio básico da representatividade. Assegurava as liberdades, direitos e garantias individuais, alargados gradualmente a direitos sociais como, por exemplo, o sindicalismo, a licença remunerada de maternidade ou a gratuitidade da educação.

Com o Estado Social, entretanto consagrado constitucionalmente, introduziram-se novos direitos sociais que, juntamente com a criação do euro, a reunificação alemã e o apogeu do optimismo histórico europeu, se julgaram garantidos para todo o sempre. Paralelamente, o capitalismo global multiplicava as invenções que consumíamos avidamente. Tão distraídos andávamos a consumir que mal demos pelas migrações que iam miscigenando as nossas sociedades e viriam a produzir os fenómenos de xenofobia agressiva que hoje alimentam os vários populismos que atentam contra a natureza inclusiva da Democracia, fundada no princípio básico da igual dignidade humana de todas as pessoas.

Até que a globalização acelerada, deslocalizando milhares e milhares de empresas para as regiões “emergentes” à custa de salários miseráveis, destruiu empregos em massa no Velho Continente e obrigou à transformação drástica das empresas que apostaram na sobrevivência. Tecnologias, horários, turnos, rotinas, direitos adquiridos, domingos e feriados, tudo tem vindo a ser posto em causa a fim de enfrentar uma competição global como o mundo nunca vira. O Velho Mundo – a velha Europa – despertou violentamente da sonolência a que se acomodara à sombra protectora das suas leis. A crise financeira de 2007, soprada lá da América, obrigou vários Estados, sobretudo do Sul da Europa, a uma frugalidade que chocou o orgulho progressista de um continente que em tempos correra à frente do seu tempo.

Em Portugal – mas não só – multidões de indignados descobriram que uma Democracia que não dá dinheiro afinal não presta; pouco ou nada importa a Liberdade. E descobriram, do mesmo passo, a deprimente passividade da nossa sociedade civil, cujos protestos se esgotaram em menos de meia dúzia de manifestações tão aparatosas quanto estéreis, de que não resultou nenhum movimento articulado, coerente e constante. Umas quantas luminárias, cada uma delas ciosa da sua capelinha, viram a sua “janela de oportunidade” naqueles surtos desgarrados de contestação contra o governo e o “establishment” partidário. Várias cabeças se ofereceram para dar voz ao descontentamento público e acolitar com a sua refrescante imaginação política um próximo governo de Esquerda que opere o milagre de voltar a encher os bolsos dos portugueses sem com isso espatifarem as Finanças Públicas e ressuscitarem o espectro de uma nova bancarrota – e uma nova Troika. E ainda, graças a uma poção mágica de que ignoramos o segredo, com a suprema vantagem de nos ser poupado o desagradável incómodo de mudar de vida.

Não me refiro aos pobres, aos que passam fome e frio, reformados ou não. Refiro-me a umas nebulosas “classes médias” que começam no BMW de gama baixa e terminam numa fronteira indefinida, algures no computador emperrado do filho e no velho Renault Clio do pai. Uma massa de descontentes com a Democracia que, deixando de derramar conforto, de aumentar ordenados, distribuir subsídios e “complementos”, transformou a visita dominical aos centros comerciais numa expedição frustrante. Uma Democracia que falha a sua suposta obrigação de proporcionar uma vida desafogada não cumpre o que acabou por se tornar no primeiro dos imperativos democráticos. Os cidadãos deixaram assim de se reconhecer nos poderes que elegem, proclamando um “déficit de representatividade” que, apesar de tão velho quanto a própria Democracia, só recentemente se converteu em motivo de sobressalto dos partidos instalados e de ruidosa revolta colectiva contra um regime que defrauda as mais justas e naturais aspirações do povo. As liberdades, direitos e garantias individuais sempre permaneceram e permanecem intocadas, mas isso deixou de ter especial valor para um povo que, tendo no seu geral passado rapidamente sobre os festejos exuberantes da queda da Ditadura, logo dirigiu o seu olhar para a rica Europa, cujo estilo de vida de imediato adoptou como seu modelo, sem por um momento pensar que talvez existisse alguma relação entre aquele paraíso transpirenaico, o desenvolvimento económico e a produtividade do trabalho. O 25 de Abril foi um maná trazido pela Democracia !

O que esta constitui propriamente como regime político deixou de interessar. Na cabeça de demasiada gente, deveria ser antes de mais uma engenharia destinada a engendrar afluência e bem estar. Em vez disso, passou a ser uma frustração. O consumo tornou-se a maior paixão contemporânea, e a verdade é que a Liberdade interessa a poucos: não faz falta nenhuma para ver novelas, jogar no computador, passear de carro e ir ao futebol.


Maria Fátima Bonifácio publicado aqui


Humor negro sobre as eleições no Brasil


Fontes:
Bolsa Família: https://www.beneficiossociais.caixa.gov.br/…/04.01.00-00_00…
Estimativa da população brasileira: http://www.ibge.gov.br/…/populacao/esti…/estimativa_dou.shtm
Votação por estado: http://placar.eleicoes.uol.com.br/2014/2turno/

Vendo muita gente revoltada e dizendo que isso não é democracia ou que o resultado não é justo. Bom, 51% a 48% é perfeitamente justo e democrático. Por isso que digo que a democracia é a ditadura da maioria. Viram como vocês idolatram um Deus que falhou?
Vou trabalhar porque tenho que pagar impostos. Bom dia.

LT

Quem diz que a UE é ultra-neoliberal?



Neste momento existem mais de 37.000 diplomas legais na União Europeia. Existem, ainda, mais 13.000 sentenças judiciais e 52.000 normas internacionais que todos os cidadãos e empresas da União Europeia devem respeitar.
AG  - (Via Partido Libertário Português)



Humor sobre as eleições no Brasil




A festa da democracia acabou: quem pagou a conta foi o trabalhador que não queria mais PT no poder.
 E continuará pagando a conta do país por mais quatro anos. Isso se o país não quebrar até lá.

Francisco Razzo


A festa da democracia II

O brilhante economista Thomas Sowell certa vez disse que:

A primeira lição da economia é a da escassez: nunca há uma quantidade suficiente de alguma coisa de modo a satisfazer todos que a desejam. 

Já a primeira lei da democracia é ignorar a primeira lição da economia.

A festa da democracia


sábado, 25 de Outubro de 2014

Mudar o Estado

"O problema dos políticos é o de mudarem o governo: o meu é o de mudar o Estado. Contam eles com o voto ou a revolução. Conto eu com o curso da História e a minha vocação e o meu esforço de estar para além dela ..."

Agostinho da Silva, Cortina 1.


Contra a democracia "ocidental".


Este artigo de opinião de um empresário chinês pró-Pequim, em Hong Kong, reúne o argumentário contra a democracia "ocidental". Vale a pena ler, porque os argumentos andam bem espalhados por todo o mundo, incluindo por aqui, e o autor não se auto-censurou, escreve com toda a candura. Começa pela treta do costume: "as massas" são "ignorantes" e ele, o que escreve, não é.

Eduardo Cintra Torres



quinta-feira, 23 de Outubro de 2014

Adivinha quem eu sou?


E socialistas assim há muitos...



O que me irrita na oposição

"O que me irrita na oposição não é a ideologia mas a demagogia, é o ela andar a prometer às pessoas um consumismo insustentável, pois não podemos viver acima das nossas possibilidades".

António Oliveira Salazar

segunda-feira, 20 de Outubro de 2014

Salazar Merecia Isto?

Um povo que não conhece a sua história é um povo condenado à desgraça...



O retrato de Salazar é apeado por um militar "revolucionário" em consequência do 25 de Abril.


"Não fazia o 25 de Abril se soubesse como o País ía ficar." - Otelo Saraiva de Carvalho

Noticiou recentemente o Jornal de Notícias que os portugueses estão hoje mais pobres e a ganhar menos do que em 1974.[1] Pessoalmente, o facto não me surpreende, pois há anos que assisto à destruição do meu País pela mão de uma elite de "adiantados mentais" que fazem muito mais pelo seu enriquecimento pessoal, do que pelo enriquecimento da Pátria como um todo.

O facto de os portugueses estarem hoje mais pobres e a ganhar menos do que em 1974, fez-me por momentos reflectir em tudo aquilo que os demagogos adeptos da "revolução" de 1974 têm dito e feito contra a imagem e o bom-nome do professor Oliveira Salazar. Porém, para se compreender melhor onde quero chegar, recuemos ao passado.

Portugal ao iniciar-se a Primeira República em 1910, era um País profundamente doente em termos económico-sociais. A República com a qual alguns círculos ligados à maçonaria deliravam há décadas, havia sido apresentada como sendo a "panaceia universal" para resolver todos os problemas nacionais, no entanto, tal ficou muitíssimo longe de se verificar. Ao invés, aquilo que se verificou foi a total balbúrdia política a roçar na bandalhice. Isto deveu-se antes de mais ao facto de a República ter sido erguida com base em fórmulas estrangeiras importadas que nada ou muito pouco tinham a ver com a tradição política nacional e que por isso mesmo criaram muitos mais problemas do que aqueles que eventualmente vieram a resolver.

Chegados a 1926 e após dezasseis anos de eleições manipuladas, pseudo-democracia, caceteiros a rachar cabeças, perseguições políticas,  partidocracia e corrupção em larga escala, Portugal estava na sarjeta. A ditadura militar foi então imposta não por mero capricho de alguns generais ávidos de poder e glória, mas por absoluta necessidade, pois estávamos em risco de deixar de existir como Nação soberana e independente. Hoje, infelizmente são poucos os que se lembram de toda esta miséria que antecedeu a ditadura de Salazar e nem convém ao actual regime dito "democrático" que tal seja recordado, não vão os portugueses começar a ter ideias "perigosas"...

O golpe de 28 de Maio de 1926 conseguiu efectivamente restaurar a ordem pública e dar alguma estabilidade e segurança a um País carente das mesmas. Mas não foi capaz de resolver o gravíssimo problema financeiro que nos afectava e a comunidade internacional da época, sob a forma da Sociedade das Nações, ofereceu uma pretensa "ajuda" com condições tão pesadas e humilhantes que esta foi liminarmente recusada por ter sido considerada como sendo um atentado à "dignidade nacional".

Esgotados assim praticamente todos os recursos e com a margem de manobra a reduzir-se de dia para dia, os militares decidiram recorrer a um certo professor de Coimbra que gozava de boa fama e tinha produzido alguns escritos que se haviam destacado nos meios académicos. O professor Salazar aceitou o cargo de Ministro das Finanças para o qual foi convidado, mas com algumas condições, entre as quais se destacava uma: a de poder ser ele a controlar as despesas de todos os outros ministérios.

A "ditadura financeira" de Salazar não tardou a produzir resultados positivos, em menos de dois anos criou-se um superavit nas contas públicas e a credibilidade financeira de Portugal entre o concerto das nações nunca mais parou de melhorar até ao dia 25 de Abril de 1974.

Resolvido assim o problema financeiro que os republicanos em dezasseis anos de "gloriosa república" nunca foram capazes de resolver, o governo de Salazar não tardou a deparar-se com várias crises internacionais que se seguiram em catadupa umas às outras. A primeira das quais foi o crash financeiro de Wall Street em 1929 ao qual se seguiu a crise da libra inglesa à qual nós estavamos irremediavelmente ligados, esta situação fez estremecer a economia portuguesa, mas mesmo assim e apesar das terríveis adversidades, o governo de Salazar conseguiu fazer com que o País atravessasse tudo isto de uma forma exemplar e sem deixar de continuar a evoluir economicamente, nem abrindo "buracos" financeiros como já é hábito acontecer em regimes ditos "democráticos".

Ainda na década de 1930 o governo de Salazar teve de se confrontar com a Guerra Civil de Espanha e logo de seguida a Segunda Guerra Mundial que exigiu a máxima habilidade diplomática da parte de Salazar para evitar que fossemos arrastados para uma guerra que teria tido consequências catastróficas para Portugal. Não bastando a neutralidade que conseguimos manter durante toda a guerra, ainda permitimos a entrada em território nacional de milhares de refugiados de guerra que foram generosamente recebidos e bem tratados.

Aqueles que acusam o professor Salazar de não ter feito mais para salvar refugiados de guerra, queriam o quê? Queriam que se colocasse em causa a neutralidade de Portugal com todas as consequências que daí poderiam advir? Queriam que provocássemos uma invasão alemã sem quaisquer garantias de que a Grã-Bretanha e os Estados Unidos conseguissem efectivamente defender o nosso território nacional? E mesmo que o conseguissem defender, quantas centenas de milhares ou mesmo milhões dos nossos compatriotas teriam de morrer até essa loucura terminar? E uma vez terminada a guerra, será que conseguiríamos restaurar a nossa independência ou ficaríamos reduzidos a uma colónia de outra qualquer potência?

Após a guerra, os Estados Unidos ainda nos tentarem ludibriar com o Plano Marshall, porém, o professor Salazar compreendendo o "esquema" que visava apenas a colocação maciça de capitais americanos em solo português, como primeira etapa para provocar a nossa dependência económica em relação aos Estados Unidos, recusou o mesmo. Mais tarde e após um estudo cuidadoso da situação, aceitámos uma pequena ajuda financeira que apesar de ser a fundo perdido, foi prontamente devolvida aos Estados Unidos em 1962 como uma bofetada à administração Kennedy, que sem qualquer provocação prévia decidiu apoiar movimentos ditos de "libertação" que atacavam e cometiam as maiores sevícias contra as populações negras e brancas das províncias ultramarinas em África.

Apesar de todas as adversidades e contratempos, Portugal sob a liderança de Salazar nunca deixou de progredir tanto em termos económicos, como sociais. Aqueles demagogos que falam do "atraso do Salazarismo"  e da "longa noite fascista", deveriam de comparar o Portugal que Salazar herdou em 1928 com o Portugal que o seu regime deixou em 1974. Éramos, aliás, um País que registava um crescimento económico de 6,9% em 1973, sendo este ainda superior no Ultramar e o escudo português era então uma das moedas mais fortes do Mundo. O mais surpreendente é que conseguimos fazer tudo isto ao mesmo tempo que as Forças Armadas combatiam simultâneamente em três frentes de guerra separadas entre si por milhares de quilómetros! 

Veja-se agora então a "obra" legada pelos "revolucionários" de 1974. Primeiro começaram por arrasar Portugal economicamente com a loucura infantil do PREC e estafaram as reservas de ouro e divisas que Salazar acumulou durante décadas. Não existiu da parte dos "revolucionários" de Abril a mínima preocupação em preservar alguma coisa de bom que tivesse sido feita pelo anterior regime. A indústria, a agricultura, as pescas, tudo acabou gravemente prejudicado e até hoje nunca mais recuperámos destes danos à nossa infra-estrutura económica. 

Enquanto tudo isto se processava, os "revolucionários" em busca dos "amanhãs que cantam" colocaram em marcha a infame "descolonização" sem a realização de qualquer referendo ou consulta popular. As populações dos territórios ultramarinos foram simplesmente abandonadas à sua sorte e entregues ao jugo dos assim-chamdos "movimentos de libertação" que não gozavam de qualquer legitimidade popular e eram já responsáveis por inúmeros crimes contra a humanidade perpetrados contra negros e brancos. O desfecho da tragédia da "descolonização" (como não podia deixar de ser...) redundou em vários milhões de mortos, mutilados e traumatizados e uma limpeza étnica da população branca em toda a África Portuguesa. Até hoje, nem o governo português, nem a comunidade internacional se preocuparam em capturar e levar a julgamento os responsáveis por todo este banho de sangue.

Em 1977 já estávamos na bancarrota graças ao "sucesso" do PREC e se não fosse a pronta intervenção do FMI, ter-nos-íamos transformado num Zimbabwe da Europa. Em 1983 seguiu-se nova intervenção do FMI e só não se seguiram mais porque a partir de 1986 entrámos na CEE e abriram-se as "comportas", tendo então começado a entrar em Portugal uma quantidade fabulosa de dinheiro. Apenas entre 1986 e 2011 Bruxelas injectou em Portugal uma média de nove milhões de euros por dia. 

O que é que os "democratas" de Abril fizeram a todo este dinheiro? Qual foi o processo de alquimia que utilizaram para fazer sumir "magicamente" 80,9 mil milhões de euros em fundos estruturais e de coesão?[2] 

Todos sabemos que foi a corrupção dos partidos e a "festa democrática" que rebentaram com todo este dinheiro. O compadrio entre o poder político e o sector privado, os "tachos" e as "panelas", os jobs para os boys e as "vacas", a corrupção da banca, etc... Nem adianta aprofundar mais neste ponto, pois trata-se de matéria dada e só não a sabe quem não quer saber. 

Hoje, após 40 anos de "democracia gloriosa", Portugal é um País técnicamente em bancarrota (estamos muito mais endividados do que estávamos em 1926...), apesar de ninguém o querer admitir e tudo isto aconteceu mesmo sem termos sido sujeitos a qualquer tipo de catástrofe natural, guerra ou epidemia.  

Depois de um saldo destes é então legítimo perguntar-se que autoridade moral ou cívica têm os "abrileiros do cravo falido" para cuspirem como cospem em cima do nome do professor Salazar? Será que Salazar foi assim tão mau e horrível que mereça todas as ofensas e calúnias que os ditos "democratas" lhe atiraram para cima nos últimos quarenta anos?

Os "democratas" retiraram o seu nome de praticamente todas as ruas e praças onde se encontrava, lançaram-lhe toda a espécie de acusações fictícias para cima, quase que proibiram que o seu nome fosse citado em qualquer circunstância, escreveram as mais fantasiosas mentiras sobre o mesmo nos livros de escola de forma a "lavar" e "formatar" o cérebro da juventude, retiraram o seu nome da ponte que mandou construir, impediram a construção de qualquer museu com o seu nome e chegou-se até à loucura surrealista de proibir que se comercializasse qualquer tipo de vinho chamado Salazar!

Que mal fez Salazar para merecer tanto ódio e perseguição?

Foi por ter combatido fervorosamente os comunistas que queriam montar uma ditadura Estalinista em Portugal? Foi por ter combatido com unhas e dentes o grupo de crime organizado que dá pelo nome de maçonaria? Foi por ter sido sempre avesso à "democracia" rotativa dos partidos que já levou o País várias vezes à falência e viciou por completo o sistema político? Foi por ter defendido Portugal e os Portugueses do Minho a Timor? 

A campanha negra lançada contra o professor Salazar na esmagadora maioria dos círculos académicos, políticos e mediáticos deve-se antes de mais ao facto de que quem está hoje bem instalado nesses círculos, são os mesmos que encheram mais a pança nos últimos quarenta anos e contribuíram para a nossa desgraça colectiva. Esses sim é que deviam de ser combatidos, perseguidos e caluniados e não o honesto professor de Coimbra que nada mais fez a não ser defender o seu País até ao último sopro de vida.

Salazar terá afirmado uma vez que no dia em que abandonasse o poder, quem voltasse os seus bolsos do avesso só iria encontrar pó.[3] De facto, assim foi, após o 25 de Abril de 1974 os "revolucionários" abrilescos bem tentaram encontrar provas de que Salazar seria corrupto e rebuscaram tudo o que conseguiram à procura da alegada"fortuna escondida" ou das hipotéticas contas bancárias na Suíça. Não encontraram nada! Nem um escudo ou uma grama de ouro que fosse! Tal como havia prometido e ao contrário dos escroques que entram hoje na política para fazer a "vidinha" nos partidos, Salazar morreu em condições modestas, sem estar rodeado de luxos, sem relógios da marca Rolex e sem nunca ter beneficiado de quaisquer esquemas de scuts, parecerias público-privadas, contratos com Lusopontes, cursos ao domingo, equivalências, sacos azuis, ou quaisquer outras imundices morais que hoje conspurcam a nossa classe política. 

Recordo-me bem do pânico de uma boa parte da elite abrilesca quando Salazar venceu aquele célebre concurso televisivo há alguns anos atrás que pretendia apurar qual foi "o maior português de sempre". Mais do que uma bofetada valente nas fuças das elites do actual regime, tratou-se de um pequeno exemplo de como o verdadeiro povo não tem memória curta. Não duvido até de que se Salazar ressuscitasse e concorresse hoje mesmo a eleições democráticas, ganharia as mesmas com maioria absoluta e sem grandes dificuldades.

Acima de tudo o que move os mais fervorosas detractores de Salazar é o medo, o medo profundo em relação a um Estadista que há mais de quarenta anos jaz por vontade própria em campa rasa e o medo de que o povo um dia abra os olhos, perceba de vez a charada política em que vive e comece a ter ideias "perigosas"...

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Notas:
[1] JORNAL DE NOTÍCIAS - Portugueses mais pobres e a ganhar menos do que em 1974. 17 de Outubro de 2014. Link: http://www.jn.pt/PaginaInicial/Sociedade/Interior.aspx?content_id=4186090&page=-1
[2] ANTUNES, Rui Pedro - Portugal recebeu 9 milhões por dia em fundos comunitários. Diário de Notícias, 30 de Maio de 2013. Link: http://www.dn.pt/inicio/economia/interior.aspx?content_id=3247131&page=-1
[3] NOGUEIRA, Franco - Salazar: Estudo Biográfico. Atlântida Editora, 1977. p. 383 


João José Horta Nobre
Outubro de 2014